28 de Dez de 2009

# publicado Segunda-feira, Dezembro 28, 2009 por O Pertinente

Lost in translation (20) - Did you say trust? 

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27 de Dez de 2009

# publicado Domingo, Dezembro 27, 2009 por O Impertinente

CASE STUDY: o cobrador do fraque vem a caminho 

Há uma meia dúzia de anos, começou a ficar para mim evidente que tínhamos entrado no túnel dos défices gémeos (da balança comercial e do orçamento) associados, como de costume, a uma poupança em contracção gerando num quadro de estagnação da produtividade e do crescimento e um inevitável crescente endividamento. Na ausência de reformas profundas e com a engorda do Estado, esta situação só nos poderia conduzir à espiral onde nos encontramos: mais endividamento, mais juros, mais défices, menos poupança, mais endividamento, …

Lembro-me dum amigo contrariar nessa altura o meu «pessimismo» argumentando que no interior da mesma zona monetária os défices e o endividamento seriam irrelevantes, porque não haveria desvalorização e simplesmente os fluxos monetários compensaria esses desequilíbrios. Para me arrumar, apontou o exemplo do Alentejo que, se houvesse uma contabilidade regional evidenciaria por certo os défices gémeos e o endividamento crescente, et pourtant. Ainda lhe disse que o problema seria precisamente esse – o Alentejo era já uma região falida com os activos dos alentejanos a passarem para as mãos dos não alentejanos, com os espanhóis à cabeça, e o seu nível de vida estagnado e Portugal arriscava-se a ser um grande Alentejo. Mas perante a inabalável fé há pouco a fazer. A não ser esperar que os factos e o tempo abalem a fé do crente.

Lembrei-me dessa discussão, a propósito da CIMPOR, que está a ser alvo duma OPA, e da ZON de quem a família dos Santos, o czar angolano, comprou 10% do capital, parte à CGD (acções que lhe custaram 12 euros e foram vendidas por 5,20) e as restantes à própria Zon que as andou a recomprar desde há algum tempo - tudo em troca de uma participação de 30% da Zon na empresa de TV por cabo em Angola. Poderá dizer-se que são casos isolados? Pois que sejam, por agora. Mas vai ser preciso pagar uma dívida pública total, incluindo o SEE, que deve ultrapassar os 120% do PIB e uma pantagruélica dívida externa líquida total de uma vez e meia o PIB, com taxas de juros que, depois de baterem no fundo só podem subir, e a que será preciso adicionar um spread igualmente crescente. Tudo isto num quadro de quase estagnação, em que as saídas são estreitas e a socialmente menos dolorosa (por coincidência a pior de todas) é precisamente pagar as dívidas com a venda dos anéis que ainda não estão no prego.

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26 de Dez de 2009

# publicado Sábado, Dezembro 26, 2009 por O Pertinente

A dívida pública infantil 

«Se consolidarmos a dívida do sector empresarial do Estado na dívida pública, obtemos um número superior a 100% do PIB. Isto significa que um bebé que nasça hoje em Portugal sai da maternidade com uma dívida na casa dos 20 mil euros, prenda do Estado português. O eng. Sócrates prometeu na campanha eleitoral dar 200 euros a cada bebé, esquecendo-se de mencionar que quem vai pagar tal generosidade serão os próprios bebés quando crescerem, através de impostos mais elevados.»

[J. F. Correia Guedes, «Um bom pai de família», no Sol]

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25 de Dez de 2009

# publicado Sexta-feira, Dezembro 25, 2009 por O Pertinente

Sabe-se e não se acredita 

Como é possível que uma parte substancial das 13 mil dívidas a fornecedores da Câmara de Lisboa, totalizando 113 milhões, não se consiga reconhecer, isto é saber a que serviços, obras ou materiais dizem respeito? Diz-se que são de vereações anteriores à de António Costa. Acreditemos que sim. Seja como for, quantos anos são precisos para uma vereação, que se apresenta como impoluta e competente, apurar valores e responsabilidades e tomar as medidas adequadas. (Fonte: Sol)

Em 10 mil funcionários incluindo directores, chefes de divisão e toda a tralha hierárquica que convive com este pântano organizativo e financeiro, não há gente honrada e competente? Ao menos honrada ou competente?

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# publicado Sexta-feira, Dezembro 25, 2009 por O Pertinente

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (2) 

Segundo o estudo de Freitas do Amaral, que não pode ser acusado de má vontade face ao governo de Sócrates, foram criadas pelo governo, por autarquias e universidade públicas mais de 300 fundações, que não são fiscalizadas, das quais em muitos casos não se conhece a actividade, a origem dos fundos e os activos e passivos de que dispõem. Entre os casos mais notáveis incluiu-se a criação por Armando Vara da célebre Fundação para a Prevenção e Segurança e mais recentemente a Fundação para as Comunicações Móveis. Não é preciso ser-se um especialista na lubrificação das engrenagens políticas para se perceber que a maioria destas fundações são pipelines para drenar dinheiro público para os partidos, ficando pelo caminho os habituais emolumentos para os intermediários. Para os partidos, entenda-se os partidos que estiveram no poder nos últimos 15 anos, desde o primeiro governo de Guterres, o que faz 12 anos de quatro governos PS e menos de 3 anos de dois governos PSD.

É impossível que não existam pelo menos algumas dezenas de militantes e dirigentes do PS (e do PSD) que conhecem o funcionamento destas máquinas de extorsão. Não há ninguém honrado por lá?

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24 de Dez de 2009

# publicado Quinta-feira, Dezembro 24, 2009 por O Impertinente

O natal é quando a rena lhe apetece 

Santo Natal (classe A) / Bom Natal (classes B e C) / Feliz Natal (classes D e E)

[Enviado por JB]

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# publicado Quinta-feira, Dezembro 24, 2009 por O Pertinente

Lost in translation (19) - Não há governos minoritários. Há oposições maioritárias. 

«O poder moderador do presidente é-o também em relação à oposição, quando esta é maioritária.»
[Vital Moreira, em entrevista ao Sol]

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# publicado Quinta-feira, Dezembro 24, 2009 por O Impertinente

CASE STUDY: «uso desproporcionado de força» 

A incursão do exército israelita em Gaza há ano foi por muitos classificada a priori como «uso desproporcionado de força» e uma resposta ilegítima ao constante lançamento de rockets pelo Hamas. Perante o inexplicável facto de desde então o Hamas não ter lançado um único rocket, essas criaturas ao menos deveriam conceder que o uso de força poderá ter sido desproporcionado mas a posteriori não foi inadequado.

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23 de Dez de 2009

# publicado Quarta-feira, Dezembro 23, 2009 por O Pertinente

Lost in translation (18) – «um falso problema» 

Como se pode classificar o facto de o futuro TGV socialista estar projectado com bitola europeia entre Poceirão e Caia e com bitola ibérica entre Caia e Évora, à luz do facto de as linhas espanholas só gradualmente nos próximos 25 a 30 anos é que serão convertidas em bitola europeia, facto que implicará que todas as linhas portuguesas que vierem a ser construídas em bitola ibérica, para as compatibilizar com as espanholas, terão que ser convertidas no futuro em bitola europeia? O facto classifica-se como «um falso problema», segundo o ministro António Mendonça.

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# publicado Quarta-feira, Dezembro 23, 2009 por O Pertinente

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (41) num oceano de retórica, um deserto de resultados 

Mr. Obama's inexplicable injunction Friday that "the time for talk is over" appears, in other words, to have produced an agreement to continue talking. The previous 12 days of frantic sound and pointless fury showed that there isn't anything approaching an international consensus on carbon control. What Copenhagen offered instead was a lesson in limits for a White House partial to symbolic gestures and routinely disappointed by reality.

Copenhagen also got hung up on whether countries (especially China) will be "transparent" about whether they are meeting their anticarbon commitments. The Obama Administration claims to be satisfied with the verification pact it struck with China, but China successfully blocked Western attempts to include international monitors of any future emissions targets.


[Copenhagen's Lesson in Limits]

Entretanto o índice de aprovação confirma os piores resultados históricos para um presidente americano no final do primeiro ano e não é pela realização de medidas impopulares mas indispensáveis.


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22 de Dez de 2009

# publicado Terça-feira, Dezembro 22, 2009 por O Pertinente

Lost in translation (17) - uma espécie de condicionamento industrial socialista (III) 

«Essa OPA realizada por uma empresa brasileira não tem apoio do Governo Português», disse José Sócrates hoje no Parlamento.

Uai, tou sabendo... Uz ministruze portuguêze são acionistá da Cimpôr?

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# publicado Terça-feira, Dezembro 22, 2009 por O Impertinente

ARTIGO DEFUNTO: os desígnios do jornalismo de causas são insondáveis (7) 

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)]

Tal como Nicolau Santos, outro Pastorinho da Economia dos Amanhãs que Cantam, Daniel Amaral, também está a entrar na fase das soluções para os problemas que ainda recentemente não existiam. No seu artigo da passada 6.ª feira «O crescimento», começa por efabular sobre a equivalência entre investimento público e privado. Cometendo uma vez mais o pecado capital do macroeconomistas de inspiração samuelson-keynesiana fala dos agregados como se fosse indiferente a caldeirada ser de peixe ou de carne ou ter mais batatas ou mais tomates. Qual o investimento que aumenta mais a capacidade produtiva: uma auto-estrada de sítio algum para sítio nenhum com um tráfego de 2.000 veículos por dia que custa 100 milhões, construída pela construtora do doutor Coelho e financiada com dinheiro dos impostos retirado ao consumo e à poupança ou um hotel de 4 estrelas que custa 10 milhões ao grupo Pestana e factura 80% a hóspedes estrangeiros?

Prossegue as suas efabulações sobre o consumo e a poupança, os empréstimos, o capital e o trabalho, a eficiência. De caminho, espera que «os nossos empresários [dêem] uma explicação ao país» sobre a insuficiência dos ganhos de eficiência. Sintomaticamente, apesar de até agora acreditar que o governo tinha a chave dos problemas da economia, passa distraidamente a pedir contas aos empresários por aquilo que, segundo o seu pensamento recente, já estaria há muito conseguido pela acção virtuosa do governo.

Por último, lembra-se que afinal existem mercados e que ou consumimos ou exportamos. Para consumir não temos dinheiro e para exportar não têm os outros dinheiro, conclui. Termina com uma notável contribuição para o pensamento económico pós-moderno: «A ideia de crescer é boa. Mas tem de ter pernas para andar.» Diferentemente do pastorinho Nicolau Santos, que quando finalmente admitiu a doença receitou placebos, Daniel Amaral ainda está na fase do médico que, não fazendo a menor ideia das causas do padecimento do seu doente que supunha ter uma saúde de ferro, lhe deseja as melhoras. Se quisermos olhar as coisas pelo lado positivo, poderemos dizer: antes isso do que fotocopiar as receitas que tem na gaveta e lhe prescreveu nos últimos 30 anos.

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# publicado Terça-feira, Dezembro 22, 2009 por O Pertinente

Lost in translation (16) - uma espécie de condicionamento industrial socialista (II) 

Depois de a Caixa informar prudentemente que «tem vindo a defender a manutenção dos centros de decisão nacional» e de o ministro das Finanças com igual contenção garantir que «cabe aos accionistas decidir», havia necessidade de um jornalista com ataque agudo de excesso de zelo concluir que o desfecho da OPA «terá sempre que contar com o aval do Governo, uma vez que está em causa a maior e mais internacionalizada empresa industrial portuguesa, onde até há menos de uma década o Estado tinha uma participação de referência»? Erro de tradução.

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