Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo (e homofóbico). Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «The main task of those who believe in the basic principles of the capitalist system must frequently be to defend this system against the capitalists.» (F. A. Hayek)

26/05/2012

ESTADO DE SÍTIO: A propósito da agenda de crescimento económico

«The boom was the time the mistakes were made and the bust is the market’s way of correcting them. Interfering with that subtle and complex correction process is beyond the ability of government. Only the decentralized decision-making and learning processes of the market can accomplish the millions of corrections that have to take place in myriad individual microeconomic markets

The Microeconomic Foundations of Macroeconomic Disorder: An Austrian Perspective on the Great Recession of 2008, Steven Horwitz

25/05/2012

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Por onde anda a nossa dívida pública?

Por vários sítios. Entre eles, por centenas de km de autoestradas com tanto trânsito que as cegonhas as consideram um sítio sossegado para constituir família. São ninhos isentos de renda, que é paga pelos contribuintes presentes, futuros e nascituros a várias construtoras do regime, com destaque para a presidida pelo estradista doutor Coelho.

Uma sábia estratégia – Take Another Plane

Referindo-se ao hipotético interesse da Emirates na privatização da TAP, Thierry Antonori esclareceu em conferência de imprensa: «não estamos interessados em companhias detidas pelo Estado».

DIÁRIO DE BORDO: Até prova em contrário

Pelo pouco que conheço do ministro Miguel Relvas, não sei se lhe dou o benefício da dúvida sobre as alegadas ameaças à jornalista do Público e em particular a ameaça de divulgação de factos da sua vida privada.

Pelo muito que sei do Público, sobretudo dos últimos anos, concedo-lhe o prejuízo da certeza da prática de jornalismo de causas e, em particular, de muitos serviços prestados ao governo de José Sócrates.

Até prova em contrário, não acredito nem no ministro nem no jornal.

Aditamento:

Depois de vários factos que entretanto foram conhecidos, incluindo os relatados nesta nota da direcção do Público, resolvi em definitivo não dar o benefício da dúvida ao ministro e, se tudo continuar assim, dar-lhe-ei o mesmo prejuízo da certeza já dado ao jornal.

Manuela Moura Guedes diz que Relvas é o «dark side» de Passos Coelho. E o light side está onde?

24/05/2012

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: doutor Coelho, estradista (2)

Secção Musgo Viscoso

Perguntado pelo «que sente quando ouve dizer que o Dr. Miguel Relvas é "o Jorge Coelho" deste Governo"?» o próprio estradista diz que não sente nada e esclarece para quem tivesse dúvidas «nunca deixei cair um amigo na minha vida».

Dois afonsos pela sua franqueza em assumir o nepotismo com que pautou a sua carreira político-empresarial ou, em alternativa, três chateaubriands por aparentemente pensar que o nepotismo faz parte das best practices e cinco ignóbeis por tudo isso.

É uma espécie de estado-espiatório (2)

Para quem imaginasse que os 111-observatórios-111 inventariados pelo Insurgente seria um número suficiente de apêndices do estado-espiatório, desiluda-se. Recebi esta tarde um email da Ordem dos Economistas a comunicar «um seminário para a apresentação formal dos objectivos e âmbito do Observatório do Envelhecimento e da Natalidade em Portugal - 1ª edição». Aguardam-se mais edições.

Pronto. Já está. Temos pacto. Agora é só esperar pelo crescimento económico.

Ao que parece, à troika CE/BCE/FMI acrescenta-se outra troika constituída pelo PSD, CDS e PS que acabam alcançar um consenso sobre a agenda de crescimento económico.

Estamos perante um caso de pactologia em tempos definida pelo inefável professor Carrilho como o «recurso à conversa dos consensos para ocultar a incapacidade de se assumirem posições difíceis, em nome das quais, justamente, se foi eleito».

E por falar em pactos, pacto é talvez a única palavra cuja grafia deveria ser atualizada para pato.

E, por falar em consensos, recorda-se que segundo o nosso Glossário, consenso é um acordo virtual, sobre matérias que não se sabe exactamente quais são, mas sobre as quais se suspeita existirem opiniões muito diferentes, que nenhuma das partes está muito interessada em conhecer. Durante o processo de procura do consenso todos se sentem obrigados a fingir boa vontade para chegar a resultados práticos que, em definitivo, ninguém quer chegar. Há dois desfechos possíveis para o consenso: o positivo e o negativo (em rigor equivalem-se nos efeitos finais). No consenso positivo concorda-se com «grandes princípios», o que entre gente sem princípios não significa o que significa. No consenso negativo concorda-se que não se concorda, por a outra parte estar de má fé como se demonstrou durante o processo negocial (quem está de má fé é afinal o único ponto insusceptível de consenso)

23/05/2012

Por qué no te callas? (9) – Estará mesmo «farto de saber»?

«Na véspera do início da importantíssima 4.ª avaliação do programa de ajustamento, Cavaco disse esperar que a Troika venha imbuída do espírito da última reunião do G-8 (onde se falou de políticas de crescimento).

É de ficar estupefacto. O Presidente está farto de saber, até pela sua formação, que Portugal não tem margem para promover o crescimento pela procura interna. E que o nosso crescimento só pode vir da procura externa. Não apenas pelo facto de não termos espaço orçamental (a UE até diz que vamos falhar o objectivo do défice para 2012...). É porque o crescimento induzido por via orçamental só tem um resultado: o agravamento do défice comercial, o maior problema da economia portuguesa.»

«Cavaco merece um raspanete da Troika», Camilo Lourenço no Negócios online

ARTIGO DEFUNTO: O verbo «arrasar» conjugado pelo jornalismo de causas

«OCDE arrasa metas de Vítor Gaspar» é o título de uma peça do jornalista Palma Ferreira, pela qual ficamos a saber que, onde o ministro das Finanças prevê défices de 4,5% e 3,0% do PIB este ano e no próximo, a OCDE prevê que o «disparo» desses défices para 4,6% e 3,5%, respectivamente, ou seja mais 0,1% e mais 0,5%.

Não me recordo do verbo usado pelo jornalista de causas em causa para descrever o «disparo» do défice Teixeira dos Santos de 2009 que começou por ser 2,2% e acabou em 10,0% (ver a série de posts «o défice de memória».

DIÁRIO DE BORDO: O melhor da arte urbana 2011 (16)

22/05/2012

Lost in translation (144) – o governo tem que despedir funcionários públicos, queria o Conselho das Finanças Públicas dizer

O Conselho das Finanças Públicas concluiu no seu primeiro relatório que, em vez de fazer «cortes ou compressões horizontais», o governo deve «preferir a racionalização da função pública, eliminando burocracia e formando e realocando os trabalhadores em atividades mais produtivas».

Sabendo-se que a despesa pública corrente, em que os salários representam a maior fatia, tem que diminuir, esta conclusão só pode significar que o dito Conselho sugere que isso seja feito despedindo funcionários públicos. É difícil não concordar.

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.


Dietrich Fischer-Dieskau (1925-2012)
Provavelmente o melhor barítono (entre outras coisas) do século XX

21/05/2012

CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (10)

Estação TGV Cuenca-Fernando Zóbel

Foram torrados 20 milhões de euros. Estação às moscas com 250 lugares de estacionamento, venda automática de bilhetes, energia geotérmica, edifício construído com materiais não contaminantes, sem uma cafeteria ou um quiosque (também para quê?). Ver mais informações aqui.

[Da colectânea apócrifa «ESPAÑA PAIS DE MILLONARIOS» dos resultados (principalmente, mas não só) do socialismo ibérico em Espanha]

DIÁRIO DE BORDO: O melhor da arte urbana 2011 (15)

20/05/2012

CASE STUDY: formação pós-graduada a la bolognesi (6)

[Outras bolognesi (1), (2), (3), (4), (5)]

Confesso o meu fascínio pelo fenómeno epidemiológico das pós-graduações nas universidades portuguesas, já tratado várias vezes no (Im)pertinências. Para ser exacto, o meu fascínio estende-se às graduações universitários em geral as quais, segundo as contas do Expresso, entre licenciaturas, mestrados e doutoramentos, já vão em 5.049 «propostas», como agora se chamam essas coisas.

O Guia do Estudante do Expresso é a este respeito um insubstituível repositório de informação. A primeira vez que me lembro de o escalpelizar foi em 2005 quando encontrei cerca de 1.500 propostas de pós-graduação. Era muito? Pois era, mas ainda estávamos longe do número actual de 2.539 propostas, incluindo 982 pós-graduações strictu sensu e 1.557 mestrados, enumeradas no guia deste ano.

Não é preciso ser-se um especialista em pós-graduações para se perceber que num país deste tamanho a pletora destas propostas e a irrelevância da maioria delas constituem um imenso desperdício de recursos, só possível por via dos subsídios, no caso das universidades públicas, e pela falta de qualidade no caso das universidades privadas. Nos próximos tempos, à medida da minha paciência, talvez espiolhe este manancial e dê aqui conta das propostas mais excitantes.

(Talvez continue)